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Cigarrinha do milho atinge 70% das lavouras do Sudoeste e problema é debatido na Amsop

A infestação das lavouras pela cigarrinha do milho, que atinge 70% das lavouras do Sudoeste, foi tema de um seminário realizado pela Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) e Associação das Câmaras Municipais do Sudoeste do Paraná (Acamsop), nesta sexta-feira, 30/04.

 

No início do encontro, o secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, fez um pronunciamento, de forma remota, e anunciou que foi constituído um grupo de trabalho no governo do Estado, “com profissionais muito gabaritados, para construir o melhor protocolo de enfrentamento à cigarrinha do milho”. O secretário afirmou, também, que “o sucesso da produção de milho, derivados e proteína animal no Paraná depende muito desse enfrentamento”.

 

Para o presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Amsop e prefeito de Vitorino, Marciano Vottri – que representou o presidente da Amsop, prefeito Nilson Feversani (Bom Sucesso do Sul) –, esse debate teve o objetivo de revelar um novo desafio no sistema de produção do milho, que é o combate à cigarrinha. “Sabemos da importância que o agro representa para o Sudoeste, e o milho é a base primária para outras cadeias de produção, a exemplo do leite”, relatou Vottri.

 

A iniciativa do seminário partiu da Acamsop e Amsop, após vereadores de Bom Jesus do Sul relatarem casos de cigarrinha do milho em lavouras do município. Recentemente, houve, ainda, uma reunião do presidente da Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Amsop com os chefes dos núcleos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) de Francisco Beltrão, Pato Branco e Dois Vizinhos, para tratar do assunto. “É dever da Acamsop buscar enfrentamentos aos problemas comuns da nossa região, e antever possíveis prejuízos a economia dos nossos municípios, que é fundamentalmente agrícola”, declarou o presidente da Acamsop e vereador de Itapejara do Oeste, Marcus Braz.

 

De acordo com o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, foi constatada a presença da cigarrinha do milho em 70% das amostras de lavouras do Sudoeste analisadas pelo órgão. O diretor-presidente da Adapar também estimulou os municípios para a criação dos Conselhos de Sanidade Agropecuária, que, juntamente com um colegiado estadual, coordena ações que visem à melhor qualidade, produtividade e rentabilidade da produção agropecuária.

 

Segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o milho 2ª safra (safrinha) é, atualmente, a principal safra de milho do estado, com 2,4 milhões de hectares cultivados. No Sudoeste, a queda na produção por conta da cigarrinha do milho foi de 22% (no Paraná, a redução foi de 14%). Já no rendimento, a retração foi de 30% (o dobro do Paraná, que registrou queda de 15%). O IDR-Paraná aponta, ainda, que a cigarrinha do milho chegou às lavouras do Sudoeste na safra 2020/2021, e que, por conta disso, o uso de inseticidas pelos produtores dobrou nesta safra.

 

“A hipótese mais provável para a chegada da cigarrinha do milho ao Sudoeste é a conjunção de fatores, como o clima, a irregularidade de chuvas provocada pelo fenômeno La Ninã, e a chamada ponte verde, que é o cultivo de lavouras em sequência, como o milho 1ª safra e o milho safrinha (2ª safra)”, declarou o coordenador estadual do Programa Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná, Edivan Possamai. Ele acrescentou que não existe uma forma de erradicar essa praga nas lavouras, mas existem ações para evitar os danos e perdas causados, como a eliminação do milho tiguera (restos de grãos e espigas que permanecem na superfície após a colheita), tentar evitar a ponte verde e a utilização de cultivares de milho tolerantes a cigarrinha, ou seja, um milho melhorado, com mais resistência.

 

A cigarrinha do milho se alimenta da seiva de uma planta de milho doente e adquire as bactérias que estão presentes nesta planta. Com isso, esses micróbios se multiplicam nos tecidos da cigarrinha do milho e infectam suas glândulas salivares durante um período de 3 a 4 semanas. E são essas cigarrinhas portadoras de bactérias é que contaminam as lavouras.  

 

Dois técnicos do IDR-Paraná também ministraram palestras no seminário, Rodolfo Bianco e Michele Lopes da Silva. O encontro teve o apoio da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e Associação dos Secretários Municipais da Agricultura do Sudoeste do Paraná (ASSEMA).