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Piscicultura e energia renovável impulsionam economia de Boa Esperança do Iguaçu

No encontro das águas dos rios Jaracatiá e Iguaçu, no lago da Usina Salto Caxias, em Boa Esperança do Iguaçu, os sócios Nelson Stübbe e Pedro Toaldo apostaram em uma inovação na forma de criar peixes no sudoeste: tanques-rede.

 

Há 10 anos, com o apoio da Prefeitura de Boa Esperança do Iguaçu, Stübbe e Toaldo, oriundos de Maripá (oeste do Paraná), concretizaram o projeto, tendo contado com o incentivo de três gestões da Administração Municipal. E fizeram da piscicultura uma das vitrines de Boa Esperança do Iguaçu.


Atualmente, são 430 tanques (com possibilidade de chegar a 1.600), que produzem, mensalmente, 100 toneladas de tilápia. Dessa produção, segundo os sócios da piscicultura, 80% é comercializada em Francisco Beltrão e, também, em Centrais de Abastecimento (Ceasas) de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

 

O ciclo da produção de tilápia tem duração de 10 meses, e inicia com alevinos que pesam em torno de cinco gramas. Conforme o crescimento dos peixes, há a acomodação nos tanques, até as tilápias atingirem peso de um quilo, quando estão no ponto para a comercialização. Nos dias de mais calor, a alimentação dos peixes é feita até três vezes ao dia, com a ração que sai dos silos e é distribuída nos tanques através de barcos.

 
Da fazenda de tilápias, os peixes para a comercialização podem sair em caminhões-tanque, ou, colocados em caixas térmicas com gelo após a aplicação de uma técnica de sangria e choque térmico. A propriedade chega a produzir 1 milhão de quilos por ano e, de acordo com os sócios, uma das principais vantagens neste sistema de tanques-rede, diretamente no rio, é a menor amplitude térmica da água. Pois, ao contrário dos açudes, dispensa mecanismos de oxigenação.

 

ENERGIA RENOVÁVEL

Já às margens da PR-879, na localidade de Linha Vachin, está a 3Gs Adubos Orgânicos e Fertilizantes, a única usina de biodigestão no Brasil com o sistema completo de economia circular. Essa economia circular aplicada na propriedade consiste na geração de energia térmica, o biogás, que abastece os aviários (também é dos aviários que saem parte da biomassa a ser transformada em energia, como veremos a seguir), e, ainda, no fornecimento da energia elétrica excedente para a rede da Copel, suficiente para abastecer até 250 residências que consomem, em média, 250 kwh/mês. Tudo isso, a partir da matéria orgânica de origem animal, como camas de aviários, resíduos de laticínios (soro do leite) e dejetos de suínos.

 

Os irmãos Gilmar, Gilson e Geovani de Paula são pioneiros neste sistema de geração de energia renovável. Após um financiamento de R$ 3,3 milhões, eles implantaram a usina, que entrou em operação em 2018. E, atualmente, durante a operação contínua nas 24 horas do dia, o biodigestor da usina produz 1.150 metros cúbicos de biogás diariamente.

 

Ao chegarem na usina de biodigestão, os dejetos são depositados em um reservatório com capacidade para 500 toneladas. Posteriormente, ocorre a mistura de fases em líquida e sólida. A líquida, é encaminhada para o biodigestor – que tem capacidade para armazenar até 1.560 metros cúbicos – e, após 32 dias, é liberada em forma de biofertilizante. Além de todas as aplicações já citadas, o biogás também pode passar por um processo de refinamento, ser transformado em biometano, e, por consequência, aproveitado como Gás Natural Veicular (GNV). O GNV evita um volume 23 vezes menor de poluentes na atmosfera, pois evita o lançamento do metano (CH4). Ou seja, com este processo de produção de biometano, a 3Gs adubos orgânicos evita que, praticamente, 1 tonelada de metano seja lançado na atmosfera.

 

Já o resíduo sólido é transformado em fertilizante orgânico, após um processo de compostagem que dura de 60 a 80 dias. E, então, é vendido para floriculturas, mercados e lojas agropecuárias, já que pode ser aplicado em qualquer tipo de produção agrícola.

 

Para além do resíduo sólido, a parte líquida que sai do biodigestor (biofertilizante) é utilizada na fenação (forragem para o gado) e produção de grãos na propriedade dos irmãos, o que, segundo eles, potencializou a produção, pois o biofertilizante devolve a capacidade produtiva do solo.

 

A 3Gs também integra o projeto “Aplicação de Biogás para a agroindústria brasileira”, como unidade de demonstração. O objetivo deste projeto é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias de produção de biogás no Brasil. A ação é liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), em parceria com os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação; Minas e Energia; Meio Ambiente, e Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, Itaipu Binacional e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás).

 

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